“A maior parte dos problemas que o mundo enfrenta é por falta de princípios morais e não de dinheiro. É a ausência de moral que alimenta a corrupção, a ganância, a desconfiança e a solidão entre as pessoas.”
Dalai-Lama
“A maior parte dos problemas que o mundo enfrenta é por falta de princípios morais e não de dinheiro. É a ausência de moral que alimenta a corrupção, a ganância, a desconfiança e a solidão entre as pessoas.”
Dalai-Lama
Toda vez que a grande mídia fala de adolescentes infratores pobres os trata como menores de idade. É comum nos depararmos com textos se referindo dessa forma - ”O menor”, “o menor de idade”. Quando o infrator é rico, aí passa a a ser adolescente. Nessa linguagem dá para perceber um sutil, mas visível preconceito. Menor de idade não brinca, não vai pra escola, não frequenta clube e nem anda de jet ski. Mora invariavelmente na perfireria das cidade, quando não nos chamados mocós, pra nção dizer nas ruas.
No fim de semana um adolescente de 14 anos mata uma criança de 3 anos e foge para o condomínio de luxo, na praia de Bertioga – litoral de São paulo. O que fazem os adultos, seus pais e parentes? Dão uma lição de covardia e omissão ao jovem. Todos fogem para o interior de São Paulo. Se escondem no condomínio de luxo onde a família vive e detalhe, afastam a imprensa reforçando a segurança. E o repórter fica na porta esperando a boa vontade da família em explicar a tragédia. Se fosse na perfieria o enredo seria outro. Com certeza o repórter estava dentro da casa do infrator bombardeando a família com perguntas. Parte dos telespectadores iriam achar normal a invasão da privacidade. Há quem acredite que nem todos são iguais perante a Lei.
E vai uma pergunta aos defensores da diminuição da idade penal: E aí, por que vocês não se manifestam agora? Por que não vêem a público defender a prisão de crianças e adolescentes? Não falam nada, ficam em silêncio porque o autor é rico. A lei que para diminuir a maioridade penal só serve para os pobres. Prisão para crianças e adolescentes pobres. No fundo é isso.
O País inteiro ficou apreensivo com a greve dos policiais na Bahia. Os grandes meios de comunicação realizaram uma cobertura muito tendenciosa. Assistindo ao noticiário dava a impressão que estávamos diante de agrupamentos de bandidos. Em nenhum momento a mídia tentou explicar à população por que tudo aquilo estava acontecendo. Qual o sentido de tamanha união dos policiais a ponto de definir pela paralisação? Quais são suas condições de trabalho? E esse negócio de retirar pequenos trechos de conversas telefônicas dá a idéia de manipulação.
Embora não tenha feito pesquisa sobre o tema, mas com toda a certeza a maioria dos brasileiros é contrária ao direito de greve para policiais. Aliás, eu me incluo nesta maioria. Só não concordo com a prisão de bombeiros no Rio de Janeiro. Foi um abuso. O governo não atende as reivindicações, não respeita os direitos destes profissionais e depois, quando se rebelam, manda prender? O que resta a eles fazerem? Isso sim é violência!
Afinal de contas, polícia, segurança pública é coisa muito séria e deve ser tratada como tal. Acho que é nesta linha que devemos concentrar nossas reflexões. Afinal de contas, se todos nós reconhecemos a importância das polícias, que sem elas estaríamos entrando num verdadeiro caos, colocando em risco o que temos de mais precioso, que é a nossa vida, então reconhecemos nestes profissionais uma importância ímpar. Se ainda refletirmos que estes profissionais colocam seu bem mais precioso – sua vida – para salvar a nossa, então percebemos mais ainda a importância desta profissão. Imagine uma mulher, um homem colocando sua vida em risco para defender outra pessoa? Pensemos nas relações deles com outras pessoas (pai, mãe, marido, mulher, filhos, filhas, namorados, namoradas, primos e amigos). Se coloque na situação de ter um pai, uma mãe policial. Imaginando saindo para trabalhar numa sociedade tão violenta. Fico aqui tentando criar em minha mente um cenário para perceber tamanho estresse. Mas confesso, não consigo.
Aí me pergunto: Se a sociedade tem esta clareza, então por que os profissionais de segurança pública precisam recorrer à greve para terem seus direitos atendidos? Se são tão importantes assim, não deveriam ter garantidos mecanismos de negociação para que não precisassem recorrer à greve? Pela sua importância teríamos que criar mecanismos democráticos garantindo a todas e a todos condições de trabalho e salários dignos. Mas o que fazemos enquanto sociedade? Quando ameaçam faltar aí sim lembramos da sua existência. Não podemos ficar esperando que governos encontrem saídas para este problema. Para eles é fácil: fez greve, manda prender. Arruaceiros, baderneiros – é assim que são tratados suas lideranças. Acho que nossas maiores centrais sindicais, Força Sindical e CUT, deveriam discutir esta questão. Que motivação e compromisso com a sociedade estes policiais terão se são tratados de maneira tão desrespeitosa?
O discurso dos governos para não dar aumentos e melhorar as condições de trabalho é sempre o mesmo. Dizem que faltam recursos. Mas torram dinheiro público com propaganda, por exemplo. Aqui no Paraná o governador aumentou em quase trezentos por cento os recursos destinados a publicidade e propaganda. Ao mesmo tempo aumentou abusivamente taxas e serviços. Terceirizou serviços essenciais como saúde, educação. Pior, antes criou lei autorizando a contratação de organizações sociais de interesse público, sem licitação. Qual o seu sentido de não escolher a melhor e não a da preferência do governador? Tem que ser melhor para o governador ou para nós paranaenses? Se o governador acha tão importante a propaganda do seu governo e para isso destinou no orçamento mais de 160 milhões de reais, por que então não privatiza? Sim, se é tão importante por que não convence os paranaenses em comprar cotas de patrocínio para promover seu governo e destina estes recursos para projetos sociais, por exemplo? Não privatiza porque ninguém vai pagar a conta. A proposta parece absurda. Quem vai querer pagar para promover o governo? Mas absurdo mesmo é a sociedade permitir a privatização da saúde, da educação e deixar gastar esta fortuna em algo sem importância.
Foi estarrecedora a ação das policias civil e militar no ultimo domingo, no Largo da Ordem, aqui em Curitiba. Dezenas de pessoas foram atendidas nos hospitais graças à ação descoordenada e sem planejamento algum, tentando acabar com uma manifestação cultural, organizada por um grupo de paranaenses, amantes de um bom carnaval. Segundo a policia, alguns moradores da região ligaram reclamando do barulho excessivo dos foliões. A policia foi até o local e teria sido recebido de maneira agressiva por cinco ou seis pessoas. Teriam jogado uma garrafa na viatura policial e ferido um dos agentes. Atitude que merece todo nosso repúdio. O fato gerou uma reação coorporativa em cadeia. Em instantes, centenas de policiais cercaram o Largo para acabar com a festa, onde perto de quatorze mil pessoas se divertiam.
As imagens mostradas pelas televisões e fotos publicadas nos jornais e blogs, assustaram a todas as pessoas de bom senso. As policias cercaram o local e partiram para cima dos foliões agredindo todas e todos. Um policial chuta o peito de um jovem que estava encostado, apenas observando. O chute foi tão forte que jogou o rapaz para o alto, caindo estatelado no chão. Outra cena, uma mulher no chão, com as mãos protegendo o rosto enquanto outro policial, em pé, a espancava com um cassetete. Uma covardia total. Outros policiais fortemente armados miravam nas pessoas e atiravam sem dó. E por que toda esta violência, truculência e estupidez? A justificativa inicial foi a decisão dos policiais para acabar com o pre-caranaval. A segunda explicação foi que era pra manter a paz e a ordem, segundo palavras do próprio secretario de segurança. Paz e ordem? Mas as pessoas estavam brincando. Não estavam em guerra.
Estavam cantando e dançando, como é comum nesta festa que faz parte da historia cultural do nosso Pais. Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Pernambuco e tantos outros estados, recebem milhares de turistas de todas as partes do mundo. Sinal de que nossa maior festa popular é respeitada e admirada em todo o planeta. É como diz a música: “Quem não gosta de samba, bom sujeito não é…..”
Evidentemente que conhecendo o comandante e subcomandante da Policia Militar, tal ação não teve autorização nem monitoramento dos mesmos. Os dois, cel. Roberson e cel. Cesar são extremamente respeitados pelas organizações de direitos humanos no Paraná. A dupla faz parte do segmento mais inteligente e íntegro das nossas policias.
No entanto as declarações do secretário de Segurança Publica do Paraná causou espanto e indignação. E só ler as manifestações dos leitores, por exemplo, na Gazeta do Povo. A esmagadora maioria condenou a ação policial e questionou se é assim que ela vai agir na Copa do Mundo. Os leitores taxaram a ação de incompetente, truculenta, dentre outros adjetivos. Já o secretário de Segurança, que no domingo se recusou a atender o telefonema da secretária de Justiça e Cidadania, fez avaliação positiva. Ela ligou atendendo pedido de varias lideranças de direitos humanos, solicitando sua intervenção no sentido de acabar com a violência. Mas como disse antes, o seu colega de governo sequer a atendeu.
O que disse o secretário de Segurança sobre a ação policial? Ele afirmou com voz firme, que a ação foi correta, que foi usado o Uso Progressivo da Força, e que cidadãos de bem e comerciantes estavam reclamando do pré-carnaval. Perdoe-me secretário, mas que pobreza intelectual. Imaginava que pela sua formação seus argumentos seriam mais inteligentes e menos preconceituosos. Julga quem é do bem e quem é do mal? Quem lhe deu este direito e esse poder? De bem são os moradores da região e do mal são os foliões? Baseado em que fatos e em que lei Vossa Excelência estabelece estes valores? Para a autoridade quem gosta de carnaval, que é uma festa do povo, é do mal. Muito perigoso este tipo de pensamento. Muitos ditadores que cometeram atrocidades usavam argumentos parecidos. A idéia do bem e do mal.
O secretario afirmou que as policias agiram corretamente usando o Uso Progressivo da Força. Vergonhoso argumento, pois as fotos e as imagens o desmentem. Causa inquietude tal atitude. Afinal, quem deveria estar sereno e dar uma resposta verdadeira e séria para a sociedade, tenta mudar os fatos, contrariando o bom senso e pior, sendo desmentido pelas fotos e imagens. Por que o secretario não falou em Gerenciamento de Crise?
Nestas situações, quando uma crise esta estabelecida, o que diz o manual? A resposta certamente desmoralizaria a ação policial e o secretário. O fato é que a policia agiu como bando e o secretario defendeu o bando. Acho que o apoio do secretario a tal desastre pode lhe trazer grandes problemas. Aliás, para ele e para nós paranaenses. O bando pode se sentir liberado para continuar agindo assim. Tenho absoluta certeza que nem a maioria da policia e muito menos a sociedade paranaense quer bandos armados cuidando da nossa segurança. Querem profissionais, agindo de maneira eficaz e respeitando os direitos humanos. Veja o que está acontecendo na Bahia. Lá também um segmento das forças de segurança está agindo como bando. Preste atenção nestes sinais secretário.
Mais sensato e cauteloso foi o governador, disse que seria aberta uma investigação para se apurar os excessos. Faltou envergadura ao secretário de Segurança.
Secretário, com todo o respeito que o senhor não teve ao analisar a estupidez de domingo: menos retórica e mais trabalho. É o que eu penso.
As eleições municipais deste ano para a prefeitura de São Paulo devem refletir profundamente nas eleições presidenciais de 2018. Dependendo do resultado, pode praticamente aniquilar o que resta da oposição a presidenta Dilma, pode pavimentar a candidatura do ex-presidente Lula em 2018, pode causar a maior confusão com a vitória de um projeto político novo – hoje está polarizado PT, PSDB.
Caso ganhe o candidato do PT, Fernando Haddad, será uma vitória pessoal do ex-presidente Lula. Mais uma por sinal. A eleição de Dilma já conta na cota de vitórias dele. O que dificulta a eleição de Haddad? Primeiro a falta de conhecimento da cidade de São Paulo. Outro dia foi vaiado num evento do próprio partido pois trocou o nome dos bairro onde ocorria o evento. O pessoal ligado a senadora Marta Suplicy não vacilou. Mandaram aquela vaia. É que a senadora está bastante magoada por ter sido excluída do processo eleitoral. Perdeu a indicação para a prefeitura, deve perder a vice-presidência do Senado e nem sequer foi cogitada para um ministério. Não tem interesse nenhum na vitória de Haddad. Se ele vencer ela dá adeus à política. Marta deve apóiar por baixo dos panos outro candidato. Aliás na última eleição para o Senado ela conseguiu se eleger graças a um acordo nada escondido com os tucanos.
O chamado fator Lula – poder de transferir votos para seu candidato – está extremamente comprometido. O PT contava com a participação direta dele na eleição. Mas Lula não poderá participar tão ativamente devido ao tratamento de saúde que está submetido.
Caso vença Netinho de Paula (PCdoB), fica de bom tamanho para Dilma, mas torna mais complexa a volta de Lula. O PT terá que compor a sucessão. Não reinará sozinho. Se vence o canbdidato do PMDB, dá força ao partido e pode definir como fim do sonho de Lula voltar ao poder. O PMDB terá condições de se estruturar para a disputa. Com certeza este cenário é um dos piores para o ex-presidente. O desempenho do partido do prefeito Kassab é uma incógnita. Não se sabe ainda se terá ou não tempo de televisão. O PSDB por sua vez ainda não definiu candidato e isso tem irritado o prefeito a ponto de estar flertando com os petistas. Aliança que na prática é pouco provável. Se o PSDB perder a eleição corre o risco de virar um morto-vivo, semelhante ao que ocorre hoje com o DEM. Cada eleição fica mais pra cova que pro palácio. Em resumo: a vitória do PT em São Paulo sóm interessa para uma parte do PT. É esperar e conferir.